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Palavras de Transição

4 semanas atrás - por:

Palavras de transição
Palavras de transição: nexos, partículas de ligação, conectores, elementos de passagem.

Palavras de transição: o efeito bombástico que certas expressões têm!

As pessoas que vivem no meio digital sabem, mas o mesmo, infelizmente, não dá para dizer em relação a todos os profissionais de publicidade, propaganda, marketing, relações públicas, vídeo, jornalismo, televisivo, radiofônico ou impresso, produção cultural e educomunicação – sem falar, ainda, em quem redige eventualmente – que talvez não dimensionem exatamente a força que as chamadas palavras de transição carregam em si mesmas, quer para textos de boa e fácil legibilidade, quer para um bom posicionamento relativamente a ferramentas de busca.

Eu, confesso, fui, até bem pouco tempo, jurássico no assustador, mas também maravilhoso, meio digital. Nunca tive dificuldade para manejar o teclado do computador. Mas, é verdade também, que nunca, usando-o, fui muito além daquilo que uma velha máquina de escrever Olivetti, Remington, ou uma “moderna” IBM já me permitiam fazer: produzir um material didático de razoável qualidade.

Nesse marasmo tecnológico em que vivia envolvido, minha equipe de apoio, dia desses, encaminhou-me um artigo tratando do mundo moderníssimo, atualizadíssimo, aplaudidíssimo, íssimo, íssimo, íssimo, das palavras de transição.

Iniciei minha voraz leitura e… pera aí? Esse negócio está tratando do emprego das partículas de ligação, das expressões de amarração, dos elementos de passagem, dos conectores, dos nexos, conforme fui chamando ao longo de mais de 35 anos de ensino da Redação. Seja lá como for, leitor, nada de interromper a leitura por aqui e por causa disso! Talvez eu apenas me tenha antecipado um pouco no tempo ou, então, o tema seja, como de fato o é, perene como o sol, a lua e a grama, ou como amor também deveria sê-lo.

Pois bem, vejamos o que são, modernamente falando, essas tais palavras de transição. Como se sabe, um texto, qualquer que seja ele, é um organismo vivo, que, como tal, deve-se sustentar, parar em pé, ter pernas enormes, como das seriemas-de-pés-vermelhos ou da agressiva perna-longa, para andar mais rapidamente e ir mais longe, perscrutando as entranhas humanas, e a persistência do mais letal dos vírus ou da mais assassina das bactérias, para impregnar-se na alma do leitor e dominá-lo por completo.

Essa organicidade invejável e esse arrebatador poder que envolvem o leitor, ligando-o letalmente ao conteúdo do texto, são garantidos justamente pelo que, na linguagem mais antiga, se chamavam partículas de ligação, expressões de amarração, elementos de passagem e que, em dias mais atuais, foram rebatizados como conectores, nexos ou simplesmente palavras de transição.

Na prática, em aulas sobre produção textual, costumo associar a consistência de um texto à estrutura de uma corrente. Segurando uma delas pelo primeiro elo e sacudindo-a para todos os lados e em todas as direções, faço com que meus alunos percebam que, apesar de todos os chacoalhões, ela permanece íntegra, sem que “seus períodos ou parágrafos-elos” se desprendam.

Ao final desse teatrinho, nos exercícios de fixação, os aprendizes deliciam-se com a leiturabilidade e a fluidez com que a exemplificação os envolve. Afinal, com o emprego das palavras de transição entre períodos ou parágrafos, a estruturação das frases, por vezes necessariamente longa, sofre quebras, “sem quebrar-se”, garantido, assim, quer ao leitor, quer ao ouvinte, uma sequencialidade inquebrável e, ao mesmo tempo, inquebrantável das ideias.

Hoje em dia, mais maduro, mais experiente, mais calejado por centenas e centenas de treinamentos nas mais diversas situações e aos mais diversificados públicos, por vezes paro e, absorto, me pergunto: que tal se os profissionais do meio digital, da publicidade, da propaganda, do marketing, das relações públicas, das produtoras de vídeo, do jornalismo, da produção cultural e da educomunicação, querendo, de fato, seduzir por excelência a partir de uma comunicação extremamente absortiva, pusessem em prática esse bombástico, explosivo, pomposo, grandiloquente e precioso recurso nexo-textual? Seria, sem nenhuma dúvida, algo efetiva e bombasticamente arrebatador.

Por:
Prof. Ironi Andrade
do autor
Professor de Língua Portuguesa, Redação e Oratória e criador do Método do Português Lógico, o qual já vem sendo testado, com absoluto sucesso, há mais de 46 anos de magistério.

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