Dicas e curiosidades da língua portuguesa

Dicas

O Português Lógico na prática

4 semanas atrás - por:

o_portugues_lógico_na_prática

A metodologia de ensino e de estudo do Português Lógico, por mais incrível que possa parecer, é simples, extremamente simples, simplória até.

Ocorre que, na sua essência, o conteúdo idiomático possui uma sequencialidade lógica, clara, exata, indiscutível.

A fim de facilitar a compreensão dessa evidência, retomemos o método de ensino matemático. Ora, sendo a subtração uma soma invertida (2 + 3 = 5 é a mesma coisa que 5 – 3 = 2), seria impraticável ao cérebro humano entendê-la antes de ter entendido, e bem, a adição. De igual sorte, a multiplicação não deixa de ser uma soma abreviada (5 X 3 = 15 é a mesma coisa que 3 + 3 + 3 + 3 + 3 = 15) e, por consequência, para compreendê-la, será necessário, também, ter entendido, antes, e bem, a soma.

Por fim, o que é uma divisão? Ora, a divisão é uma subtração abreviada e, em sendo assim, jamais será assimilada sem se assimilarem, antes, e bem, as “continhas de menos”.

Pois bem, como já destacado acima, quer no ensino, quer na aprendizagem do idioma pátrio, não poderá ser diferente: há que se partir de um início e, com observância rigorosa aos pré-requisitos necessários e obrigatórios, reaplicar, sempre, disciplinada e continuamente, tudo aquilo que já fora apreendido na compreensão daquilo que ainda resta a aprender.

O leitor, neste momento, e com absoluta certeza, deverá estar-se perguntando: mas qual é esse início, isto é, por onde tudo começa? A resposta surge rapidamente e é absolutamente certeira: o início de tudo, tal qual nas quatro operações matemáticas, está no estudo dos (quase sempre desprezados!) fonemas.

Explicando melhor:

há que se estudarem (e bem!) os fonemas a fim de, na sequência lógica, aplicar esse conteúdo na compreensão dos fenômenos fonéticos resultantes da combinação das letras, assunto subsequente. É justamente por isso que, montada uma escada de nove degraus e distribuídos, nela, todos os conteúdos de domínio necessário no estudo da língua materna, no primeiro deles hão de aparecer os fonemas, seguidos, no segundo, das letras, ou seja, terá de ser observada uma sequencialidade rigorosamente lógica, sem o que, aliás, se perderá “o fio da meada” que orienta nossa atividade cerebral, pois cairemos, do contrário, no abstracionismo.

Examinemos essa verdade mais minuciosamente, e ainda melhor. Acaso, por exemplo, o aprendiz não identifique, no estudo dos fonemas, a existência de quatro sinais e cinco sons, no vocábulo fixo, ele naturalmente terá enormes dificuldades também para identificar, nesse mesmo vocábulo, a existência de um encontro consonantal, logo em seguida, no segundo degrau da imaginária escada, quando se estudarão as letras. De igual sorte, se ele não entender, no estudo dos fonemas, a existência, em chave, de cinco sinais e quatro sons, como entenderá, logo adiante, no segundo degrau, os dígrafos?

Impossível ou, na melhor das hipóteses, será muito difícil que isso ocorra.

Ainda: lá no quarto degrau, ao se examinar a acentuação gráfica, tornar-se-á impraticável a compreensão acerca de por que acentuar o vocábulo enxáguem, se a lei não autoriza o uso de acento em vocábulos paroxítonos acabados em “m”. Todavia, e se observada a sequencialidade lógica existente no idioma, ele facilmente buscará, lá no primeiro degrau, a resposta para tal impasse: foneticamente, o vocábulo enxáguem acaba em “i”, tal qual vôlei, pônei, júri, dentre centenas de outros exemplos, todos de acentuação obrigatória segundo a legislação vigente.

Julgando que esses exemplos, embora escassos, considerando os milhares e milhares de outros existentes e que, uma vez mostrados, poderiam justificar cada vez mais, e melhor, o caráter sequencial, lógico, exato, simples e fácil do idioma, cabe-me reafirmar: existe, sim, uma sequencialidade lógica no trato de todos os assuntos que compõem a estruturação do idioma.

Mas o mais grave nisso tudo é o fato de que, não observada essa realidade, tudo se tornará abstrato para os aprendizes, que não terão como entender o porquê de cada assunto, pois não “ligam nada com nada”, e ver-se-ão ante uma única saída: decorar a matéria a fim de se salvar nas avaliações escolares. Além disso, e como ninguém ama o desconhecido, decorando o conteúdo, sem conhecimento de causa, nunca se formará uma bagagem cumulativo-cultural sobre o idioma, não haverá gosto pela matéria e, como suma consequência, vingará uma natural ojeriza em relação ao mais nobre de todos os símbolos pátrios, o sagrado idioma, o mais sublime sentimento herdado da pátria-mãe.

Ao contrário disso, jogado, na compreensão dos fenômenos resultantes da combinação das letras, tudo aquilo que se aprendeu no estudo dos fonemas; reaplicando, no domínio das sílabas, os saberes acumulados em fonemas e letras (para não separar ditongos e tritongos e sempre separas os hiatos, por exemplo) e juntando tudo isso na compreensão das regras de acentuação gráfica, será possível, sim, fechar os estudos fonéticos com proveito, autoridade, conhecimento e prazer.

Da mesma forma, para a compreensão, e não simples “decoreba”, dos conteúdos subsequentes, há de se observar, sempre, a ordem sequencialmente lógica existente no idioma, com obediência rigorosa aos indispensáveis pré-requisitos, pois nada, na ciência linguística, “existe por acaso”.

Por fim, a contextualização dos conteúdos gramaticais, desde que abranja o maior número possível de gêneros textuais e seja posta em prática, exigindo sempre o raciocínio lógico, a aplicabilidade sempre cumulativa de tudo o que fora anteriormente estudado e a fixação conceitual, mostrar-se-á sempre necessária, interessante, indispensável e será sempre muitíssimo bem-vinda.

Por:
Prof. Ironi Andrade
do autor
Professor de Língua Portuguesa, Redação e Oratória e criador do Método do Português Lógico, o qual já vem sendo testado, com absoluto sucesso, há mais de 46 anos de magistério.

Comentários sobre este post

Cadastre-se e receba nossas novidades