Dicas e curiosidades da Língua Portuguesa

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Na preparação a provas de Português, dar maior ênfase a quê?

4 meses atrás - por:

preparação a provas de Português

Pelo motivo de sempre – minha larga atuação no ensino da Língua Portuguesa e minha também enorme experiência na elaboração de provas a concursos de toda espécie –, recebo (e respondo!) muitas perguntas. Esses questionamentos ora vêm de pessoas que se preparam ao Enem ou ao vestibular, ora procedem de candidatos ao serviço público que, para chegarem a determinado cargo ou a certa função, terão que demonstrar domínio sobre o idioma pátrio.

Minhas respostas, por mais incrível que isso possa parecer, variam muito pouco. Afinal, nós, os examinadores independentes e as bancas examinadoras, caminhamos lado a lado, praticamente de mãos dadas. Agindo assim, aprendemos uns com os outros, seja em encontros de estudos, seja pela observação constante daquilo que uns e outros estão fazendo.

Mas vamos lá. O grande questionamento refere-se ao fato de que, na hora de estudar, o que mais importa são as regras gramaticais; na hora das provas, o que mais aparece são os textos. E aí surge (e justifica-se!) a inquietação.

Ora, ora, costumo dizer, que se vejam, integradamente, os dois aspectos, pois assim eles são abordados em todas as provas de Português, faz quase duas décadas. Parece, aliás, que, no universo, tudo muda, muda radical e continuamente, menos a mente das pessoas. Incrível isso.
O principal segredo da boa preparação a provas sobre a língua materna está em descobrir como os examinadores procedem na montagem das questões. Conforme tenho enfatizado, todos partem da seleção dos textos que serão usados na prova e, ao cabo de uma ou de duas dezenas de leituras, vão destacando passagens que eles propiciam, ora à cobrança pura e simples da habilidade de leitura, interpretação e compreensão de textos, ora ao domínio das principais regras gramaticais.
Pois bem, visto assim o assunto, pode-se concluir que “se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come”. É mais ou menos isso, mas não exatamente isso. O ideal é ver qual a banca que elaborará a prova de determinado concurso público, do Enem ou das universidades em que se pretende fazer vestibular e, a partir disso, resolver muitas e muitas provas.
Mas não adiantará, também, simplesmente resolver questões e ir ao gabarito a fim de ver quantas acertou, quantas errou. Isso contribui muito pouco, pouquíssimo mesmo. Esse trabalho deverá ser crítico-construtivo. O indivíduo que se prepara a provas, sempre tirará maior proveito quando a preparação for baseada em provas anteriores, porém se, a cada questão resolvida, ele fizer uma reflexão sobre a elaboração do enunciado, as opções apresentadas, o assunto gramatical envolvido no problema e, principalmente, sobre seus conhecimentos relativamente à parte da matéria exigida na resolução do questionamento. Enfim, descobrir a “manha” do examinador e, concomitantemente, recapitular conteúdos ainda não totalmente dominados haverá de ser o foco, nesse tipo de treinamento.
Outro aspecto altamente positivo que se destaca nesse tipo de atividade diz respeito a esta verdade: embora as questões sejam elaboradas de acordo com as oportunidades que os textos selecionados oferecem, é possível ver que praticamente todas exigem, além de habilidade interpretativa, também conhecimentos gramaticais pertinentes.
A fim de arrematar com uma justificativa bem coerente sobre isso tudo, lembro que não há texto sem gramática, tampouco a gramática teria sentido não fosse a perspectiva textual. Por isso mesmo, a melhor preparação a qualquer prova de Língua Portuguesa será sempre a gramático-textual.

Por:
Prof. Ironi Andrade
do autor
Professor de Língua Portuguesa, Redação e Oratória e criador do Método do Português Lógico, o qual já vem sendo testado, com absoluto sucesso, há mais de 46 anos de magistério.

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