UMA IMPRESSÃO

É meio dantesco o medo que as pessoas têm de admitir um erro, quer na fala, quer na escrita. O que eu acho disso? Pois acho uma bobagem! Todos erram!

Veja-se isto: como você sempre pronunciou o vocábulo “colmeia”: aberto (colméia) ou fechado (colmêia)? Aberto, não é mesmo?

Pois bem, esse vocábulo, na língua padrão culta, nunca teve pronúncia aberta. Sim, nunca existiu a pronúncia “colméia”. Sempre foi “colmeia”!

Você, agora, deve estar-se perguntando: mas como tanta gente erra? A resposta é simples, meu amigo: a característica por excelência do erro é sua inconsciência, isto é, erra quem não sabe que está errando.

Portanto, continue esforçando-se para não errar mais; mas um errozinho aqui, outro errozinho acolá, tudo bem!

Aceite o erro. Admita o erro. Seja humilde, peça ajuda àqueles com quem você convive. E nada de paranoia por ter pronunciado ou escrito, eventualmente, um vocábulo erradamente.

Mas se esforce. Afinal, a defesa do idioma é a defesa da Pátria!

ERRO FREQUENTE NO COMÉRCIO:

Venda à prazo e venda à vista (errado).
Venda a prazo e venda à vista (certo).

ERRO FREQUENTE NA MEDICINA:

Aqui está o catéter (errado).
Aqui está o cateter (certo).

ERRO FREQUENTE NA AGRICULTURA:

Com a seca, a perca foi grande (errado).
Com a seca, a perda foi grande (certo).

ERRO FREQUENTE NA ESCOLA:

Nós, professores, pronunciamos su-bli-nhar (errado).
Nós, professores, pronunciamos sub-li-nhar, como sub-lo-car (certo).

ERRO FREQUENTE NA MÍDIA:

Nossa emissora vinculou em primeira mão que… (errado).
Nossa emissora veiculou em primeira mão que… (certo).

ERRO FREQUENTE NA ADVOCACIA:

Fulano constitue seu procurador… (errado).
Fulano constitui seu procurador… (certo).
ERROS QUE TODOS COMETEM:

Quem tem boca vai a Roma (errado).
Quem tem boca vaia Roma (errado).

Quem não tem cachorro caça com gato (errado).
Quem não tem cachorro caça como gato (certo).

Parece que ele tem bicho carpinteiro (errado).
Parece que ele tem bicho no corpo inteiro (certo).

Cor de burro quando ele foge (errado).
Corro de burro quando ele foge (certo).
SEM EIRA NEM BEIRA – DONDE VEM?
Há duas explicações para o surgimento da expressão “Sem eira nem beira”, que é usada para caracterizar pessoas pobres, sem bens, sem posses. Uma delas faz referência aos séculos XVII e XVIII em que as casas de pessoas ricas tinham telhado triplo: a eira, a beira e a tribeira. As pessoas mais pobres não tinham condições de fazer esses três telhados. Então, elas construíam somente a tribeira, a parte mais alta, ficando suas casas, assim, “sem eira nem beira”.

Até breve.
Ironi Andrade,
Professor e Advogado.